O calendário

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Um calendário tem o propósito de respeitar, e juntar em algum padrão, fenômenos astronômicos tais como a lunação, a rotação e a revolução.
Identificar quando é dia ou noite é algo óbvio, qual a fase da lua também é fácil, mas identificar um ano solar é uma tarefa difícil. Dada a incomensurabilidade dessas medidas ao longo do tempo, vários calendários diferentes surgiram em diferentes sociedades. Na verdade qualquer pessoa pode criar seu próprio calendário, basta ele ser bom o suficiente para respeitar as estações. Eu particularmente acho que seria interessante criar um calendário na base 10 (já tentaram fazer isso durante a revolução francesa, mas não colou pois seria muito trabalhoso até para os relojoeiros da época reestruturarem tudo.
A cultura dos sumérios conta na base 12, baseando-se nas falanges das mãos, ao invés de números dos dedos por exemplo, por isso nós temos 12 meses, 24 horas, a parte clara do dia tem 12 pedaços, a parte escura também tem 12 pedaços e por ai vai. Na verdade recebemos ordens de mais de 7.000 anos atrás muitas vezes sem nem questionar a razão. Para se criar um próprio calendário, portanto, para inovar de verdade, é imperativo despir-se de todas essas arbitrariedades.
O calendário de Rômulo foi onde a história do nosso calendário ocidental atual começou. Rômulo foi o primeiro rei de Roma, que matou seu irmão Reno. Seu calendário possuía 10 meses + o chamado de “período de inverno” que era totalmente a critério do rei.
Os meses eram:
1- Martius, 2- Aprilis, 3- Maius, 4 – Iunius, 5 – Quintilis, 6- Sextilis, 7 – September, 8 – October, 9- November e 10 –December
É fácil ver que a nomeclatura (a partir do 5° mês) faz referência a cronologia do mesmo.
Quando Rômulo morreu o povo transformou Numa Pompílio no novo rei, e ele decidiu criar 2 novos meses: 11 – Februarius (que seria o auge do inverno) e teve esse nome em homenagem aos religiosos da época e 12 – Ianuaris que seria o último mês do ano.
Numa Pompílio tenta respeitar a lunação, mas naquela época por ele vivida, havia uma crendice de que os números pares eram malditos e a soma dos dias do ano dava 360 (6X29 e 6X31 – não existia o dia 30) por isso ele resolveu fazer uma correção no mês de februaris.
Depois dessa época Roma vira uma república, e Julio César decide trocar os meses de lugar para diminuir a moral do calendário de Rômulo. Martius, que era o nome do pai de Rômulo, não poderia mais ocupar o 1° lugar. Além disso, o calendário de antes já estava todo bagunçado pois há 110 anos não estavam mais fazendo a correção (chamada de Mensis intercalaris ) que tinha a finalidade de tirar ou acrescer dias para que o calendário ficasse junto com o ano lunar, logo tudo estava errado quanto as estações, nessa alturas estava nevando em junho por lá.
Como Julio César era fã do calendário egípcio, que sempre foi bem preciso pois eles tinham a necessidade de prever as cheia do Nilo, ele resolveu se espelhar nele para a formulação do calendário Juliano. Esse calendário egípcio tinha 360 dias + 5 dias apagônicos ( que não pertenciam a mês nenhum) – 12 meses – o ano começando em agosto e de 4 em 4 anos tinha o 6° dia apagônico para corrigir com o sol.
Em 44 AEC houve o “ano da confusão” para fazer as correções do calendário na marra. Ele tinha 15 meses, teve 485 dias, trouxe Ianuaris e Februaris para o inicio do ano e se criaram novas regras: o ano teria 12 meses, cada um com 30 ou 31 dias e de vez em quando 1 dia extra em fevereiro (ocasionalmente o dia 28 de fevereiro ocorreria 2 vezes no ano, por isso se tem origem ao nome “ano bissexto” . O dia 28 de fevereiro era o 6° dia antes de março, por isso era o Bis (2x) Sexto. Nessa época os dias ainda eram contados de trás para frente , da mesma forma que falamos por exemplo que “são 5 para as 3 (horas)”, se falava que faltavam 6 dias para as calêndas (que era o nome do primeiro dia do mês ) de março , ou seja, era o equivalente para o dia 28 de fevereiro daquele calendário.
Um tempo depois, Júlio César foi assassinado e quiseram homenageá-lo, por isso se renomeou 1 mês para Julios, e esse mês tinha que ter 31 dias porque Julio César era “grande”.
Um tempo depois, Otavio, que era sobrinho de Julio César e se auto denominou Augustus, também quis ser homenageado com o nome de um mês (Augustus) de 31 dias
O ano Juliano médio era diferente do ano astronômico, (365 dias e 56 horas, com discrepância de 11 minutos/ano que ao longo do tempo acumula em um erro consideravelmente grande) então, para mais uma vez fazer correções necessárias, cortes de dias, (dessa vez pulando alguns outros fatos históricos) , foi feita uma reforma, por meio de um decreto, pelo papa Gregório.
Algumas nações não católicas relutaram ao adotar esse calendário, e algumas pessoas ficaram revoltadas pois tiveram 10 dias “roubados” de suas vidas.
Eis uma história bastante resumida para chegar no nosso calendário atual, o gregoriano, que embora bastante acurado ainda apresenta um erro de 1 dia a cada 3.200 anos 😉

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