Sobre a Ciência…

Lendo por aí… achei esse texto interessante (não sei quem é o autor).. e resolvi postar…

Permita-me uma pequena digressão…

Simplicidade? Nos nossos dias? Bom, estamos inaugurando a ciência da Complexidade. E este não é apenas mais um jargão científico desprovido do significado vulgar…
Em meio ao BOOM de teorias e estudos, inexiste nada que os interligue? Afinal, a natureza é uma só, não? E, se temos muitas teorias diferentes a respeito dela, é como se não tivéssemos nenhuma teoria.
Acumular dados de análises não avança nossa visão do mundo, não nos torna melhores, se não buscarmos também sintetizar nossos conhecimentos à medida que os diversificamos como podemos evitar o caos total e a derrocada da civilização?

Aquilo que todos acadêmicos (com amor ao próprio pescoço) negam, mas paradoxalmente buscam, é o espírito. Exemplos específicos para algumas áreas do conhecimento:

* Biologia – o que é a síntese de todos organismos vivos que conhecemos? Nosso DNA. O DNA é o espírito da Biologia.
E da Biologia. DNA não é tudo.
Dois indivíduos podem ter um DNA parecido e comportamento totalmente diferente.
A diferença entre o DNA humano e o do chimpanzé é ínfima, no entanto….
Em que ponto as diferenças de comportamento se tornam diferenças fisiológicas? Qual o ponto crítico no qual elas coexistem? Poderia chamar esse ponto de “espírito” ? (Posso dar o nome que eu quiser, não? hehehe ).

* Ciência Cognitiva – inteligência artificial é possível? Falo de inteligência genuína, de computadores totalmente indistinguíveis de seres humanos. Só existem duas respostas:

A) É possível. Interpretações: (1) o cérebro é uma máquina (esse é o senso comum); (2) há, no cérebro, uma essência que pode ser abstraída e colocada numa máquina. Nestas interpretações há um certo conflito, mas não antagonismo…. Do ponto de vista da ciência da computação, é impossível negar A2.

B) Não é possível. Interpretações: (1) apenas parte da essência pode ser abstraída, não a totalidade; (2) O cérebro está vinculado à sua finalidade: abrigar a mente. Se o silício fosse mais adequado para essa finalidade a natureza teria feito cérebros de silício. Então qual é o agente que realiza esse vínculo? Qual foi o princípio pelo qual a natureza encontrou o ponto ótimo de acoplamento entre hardware (fisiologia) e software (mente).

Assim, o espírito, no âmbito da ciência cognitiva, não só existe, como tem duas interpretações: uma passiva (A) e uma ativa (B).

* Física – o que é essa tal teoria unificada que os físicos tanto buscam? É a essência. O espírito das coisas, e não só no sentido passivo… O que nos faz ser o que somos? Não é justo chamar isso espírito?
Ok. Aponte uma teoria física que descreva os fenômenos da vida e da consciência. Não existe? Por que? Coisas complexas demais? Não teria chegado o ponto no qual os físicos teriam de rever seus conceitos?
É claro que poucos deles são humildes o suficiente para admitir isso. Mas os que forem descobrirão que o problema é de linguagem. Como estudar a si mesmo sendo descuidado com as palavras? Como enxergar novas interpretações anestesiados por um velho modo de pensar? Do mesmo modo que a mente não se resume a cérebro, o cérebro não se resume a mente. E assim, o espírito não se resume totalmente a mecânica, nem a mecânica se resume totalmente ao espírito. Antes, eles conversam

Você já viu um físico conversar? Eles costumam ser muito fechados…
Por que a teoria unificada não está saindo? Por uma razão simples: os físicos pararam de olhar a natureza. Fecharam-se num mundo de abstrações sem fim.
Teoria de supercordas ganha medalha Fields, não Nobel. Teoria não é lei. Especulação não é ciência (muito embora, se feita altruísmo e competência, possa estar embebida de verdadeiro espírito científicoSmiley.

Sonham alto demais os pobres físicos. Vasculham os céus, dividem o átomo…. e não encontram a teoria unificada. O que falta? Fenomenologia. Se fossem humildes e olhassem mais atentamente os fenômenos à sua volta perceberiam que, antes de atingir o ápice da abstração com uma teoria elegante, precisam passar por uma teoria (‘meia-boca’) fenomenológica.
Tome o exemplo da propagação de calor.
No final do século XVIII e início do século XIX havia um grupo (marginal) de físicos estudando este fenômeno através de uma abordagem diferente do rigor matemático e estético vigente: métodos mais empíricos e fenomenológicos. Eles eram avidamente criticados por aqueles (pretensiosos) que queriam dar um passo maior que a perna deduzindo as leis que regulam a temperatura de um corpo a partir das leis de Newton. No entanto, a equação de Fourier funcionava incrivelmente bem. Fourier soube elaborar um raciocínio físico que, apesar de não ser mecânico, estava de acordo com a natureza. Mais de meio século depois, surge W. Gibbs e, com ele, finalmente, a síntese das linguagens da mecânica e do calor na forma de uma teoria elegante: a Termodinâmica Estatística (esta historinha é muito bem contada no livro Order out of Chaos, de Ilya Prigogine).

Concluindo, é preciso quebrar os preconceitos. Pois se existe uma coisa que pode salvar o mundo é o espírito de união.
Muita gente questiona
se Psicologia é ciência. Acho mais acertado perguntar: “os físicos, químicos e biólogos acreditam que Psicologia seja uma ciência?”, mais justo perguntar o mesmo aos psicólogos: “vocês acreditam que vão perder emprego no futuro para físicos, químicos e biólogos?” e mais produtivo perguntar-lhes “Por que?”. Dar mais voz a quem já tem o suficiente é delegar poder a quem não precisa demasiado dele, é alimentar preconceito e desunião.

Os campos que citei (Biologia, Ciência Cognitiva e Física) não formavam uma ciência tempos atrás. Eram muitas ciências diferentes, cada qual com seus próprios preconceitos em relação às demais. No entanto, o tempo mostrou as afinidades e amenizou os rancores. É o que a História ensina. Há tempos de competição (análise), e há tempos de cooperação (síntese). Sabemos o que acontece quando a competição não dá lugar à cooperação, ou quando o preconceito não cede à conversação: game over.
Agora vocês vão me acusar de incutir valor moral à ciência, de misturar ‘hard science’ com humanidades, de misturar conceitos com valores, objetividade com subjetividade.

Que eu posso fazer?
A natureza é uma (e fazemos parte dela).

Bem vindo ao século XXI.

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