O momento oportuno

momento.

“Mas, com a breca! quem me explicará a razão desta diferença? Um dia vimo-nos, tratamos o casamento, desfizemo-lo e separamo-nos, a frio, sem dor, porque não houvera paixão nenhuma; mordeu-me apenas algum despeito e nada mais. Correm anos, torno a vê-la, damos três ou quatro giros de valsa, e eis-nos a amar um ao outro com delírio. A beleza de Virgília chegara, é certo, a um alto grau de apuro, mas nós éramos substancialmente os mesmos, e eu, à minha parte, não me tornara mais bonito nem mais elegante. Quem me explicará a razão dessa diferença?

A razão não podia ser outra senão o momento oportuno. Não era oportuno o primeiro momento, porque, se nenhum de nós estava verde para o amor, ambos o estávamos para o nosso amor: distinção fundamental. Não há amor possível sem a oportunidade dos sujeitos. Esta explicação achei-a eu mesmo, dois anos depois do beijo, um dia em que Virgília se me queixava de um pintalegrete que lá ia e tenazmente a galanteava.

— Que importuno! dizia ela fazendo uma careta de raiva.

Estremeci, fitei-a, vi que a indignação era sincera; então ocorreu-me que talvez eu tivesse provocado alguma vez aquela mesma careta, e compreendi logo toda a grandeza da minha evolução. Tinha vindo de importuno a oportuno.”

Joaquim Maria Machado de Assis, Memórias Póstumas de Brás Cubas

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O grande mal do Brasil

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O que falar dos brasileiros?

Há poucos dias acabamos de assistir a final da copa do mundo no Brasil, e essa copa me fez pensar. Me fez pensar em como os brasileiros se comportam na presença dos estrangeiros.

Certo dia, no meio do evento, resolvi pegar o metrô para tornar o meu deslocamento um pouco mais rápido, tentando evitar possíveis engarrafamentos. Ao entrar no vagão do trem, percebo um grande grupo de turistas americanos, todos com bandeiras do seu país e camisetas, chamando bastante atenção. Poucos minutos depois, um homem resolve puxar papo, em inglês, com os americanos. Para a minha surpresa (sóquenão), o brasileiro já começa a falar: “Aqui no Brasil temos muitos problemas com corrupção, todos roubam e etc.” Uma das americanas respondeu “Mas nós EUA também existem políticos corruptos”, e o brasileiro ficou impressionadíssimo, quase que embasbacado e sem acreditar que aquilo de fato pudesse ser verdade. Alguns minutos depois, no meio de um vagão lotado, uma senhora idosa se levanta de seu assento preferencial para o oferecer a aquela jovem americana. O brasileiro que conversava com ela, travestido do melhor cicerone que existe na terra, logo aponta e pede por favor para que ela se sente. A mulher, visivelmente sem graça, diz que não há necessidade, mas após muita insistência ela se acomoda no assento que é destinado a pessoas idosas, grávidas ou portadoras de necessidades especiais.  Na hora eu só senti uma mistura de raiva com indignação. Acabara de presenciar cenas da “hospitalidade brasileira”. E o resto da copa continuou… com mais inúmeras demonstrações de como o povo brasileiro é estúpido. Estúpido, pois na verdade o brasileiro não se preocupa em receber bem os anfitriões, ele naturalmente tira a roupa do corpo e estende no chão para um gringo não pisar na poça, se humilha de todas as formas possíveis.

Para o brasileiro, nada daqui presta. Um dos hobbies favoritos dos brasileiros que conversam com estrangeiros é destacar tudo o que temos de mais podre. Ao invés de ser preocupar em fazer um bom marketing próprio, nós insistimos em vender a imagem do que há de pior a qualquer custo! Por exemplo, nós só acreditamos que a copa deu certo a partir do momento que a mídia internacional publicou críticas positivas a respeito.

Brasileiros mandam a sua chefe de Estado, a pessoa escolhida democraticamente para os representar, “tomar no cu” para o mundo inteiro ver, e ainda se orgulham disso. Algo tão estúpido como se orgulhar de “lavar a roupa suja” de casa no meio de uma festa cheio de desconhecidos.

Brasileiros tomam de 7×1 da Alemanha num jogo de futebol e dois minutos depois estão endeusando os loirões. É engraçado ver como a maioria esmagadora torcia a favor da Alemanha na final da copa. O gol que deu o título à Alemanha foi mais comemorado do que um possível gol do Flamengo na final da Libertadores. Brasileiro endeusa os gringos, mas brasileiro endeusa gringos americanos e europeus. Quem nunca percebeu como os brasileiros sentem urticária quando são chamados de latinos? Não, nós não queremos nos misturar com o resto da América Latina! Qualquer coisa que venha de lá, qualquer música em espanhol é imediatamente considerada brega, é cafona, é pobre e não presta. Tente compartilhar algo da cultura latina, e veja que logo logo algum amigo seu vai torcer o nariz ou fazer cara feia.

Argentinos são arqui rivais, mas por qual motivo? Porque são argentinos! E brasileiro que se preze tem que odiar argentino.

Mas enquanto os brasileiros estão preocupados em colocar os europeus num pedestal, mal sabem eles que para os gringos, nós brasileiros não passamos de latinos. Sim, por mais que você tente rejeitar, na visão de muitos, você é só um brasileiro, é um cidadão do 3º mundo, de um país cheio de favelas, índios e macacos.  Enquanto nós nos viramos para servi-los, eles continuam com seus pré conceitos, eles continuam se achando sim melhores em tudo e sendo uma raça superior. É triste entrar em sites estrangeiros e constatar como isso é verdade. Você não precisa entrar num site gringo e ver comentários xenófobos para fazer esta constatação. Basta viajar, passar na imigração americana, por exemplo, com seu belo passaporte da “República Federativa do Brasil”, ir para a Europa… ou você acha que lá, alguém se levantaria do banco para que você se sentasse?

É triste ver que até mesmo aqui, as pessoas ainda carregam seus próprios preconceitos. Enchem o peito para dizer que o nordeste é uma bosta ou que a Amazônia é um buraco lá longe cheio de índio. Afinal que povo é esse?

Falta auto estima ao povo brasileiro, nós subestimamos nossas riquezas, nossas belezas e qualidades, mas principalmente o que falta é PERSONALIDADE. Mais de 500 anos se passaram em vão, porque infelizmente ainda somos tão pequenos, somo apenas uma colônia.

O mundo e sua economia

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“A dinâmica do mercado facilmente converte a eficácia e a produtividade em valores absolutos, reguladores de todas as relações humanas. Esse caráter peculiar cria um processo promotor de múltiplas desigualdades e injustiças. Da forma como o mundo está configurado atualmente, não permite interpretar e reagir em função de valores objetivos que se encontram além do mercado e que constituem o mais importante da vida humana: a verdade, a justiça, o amor e, muito especialmente, a dignidade e os direitos de todos, inclusive daqueles que vivem à margem do próprio mercado.”

“O desenvolvimento, de fato, não pode ser reduzido a um mero processo de acumulação de bens e serviços. Ao contrário, a pura acumulação, mesmo que fosse em prol do bem comum, não é uma condição suficiente para a realização de uma autêntica felicidade humana.”

“O impacto dominante dos ídolos do poder, a riqueza e o prazer efêmero se transformam, acima do valor da pessoa, na norma máxima de funcionamento e no critério decisivo na organização social.”

É interessante observar como estamos presos em um sistema que não é sustentável a longo prazo.  A demanda por resultados, por eficiência, coloca uma pressão em todos os seres humanos para nutrir o ciclo do consumo. Muitas vezes trabalhamos não por que queremos trabalhar, ou pelo prazer de realizar determinado ofício, mas sim para ganhar dinheiro, ter a possibilidade de melhor se encaixar na sociedade, para ter a oportunidade de crescer socialmente e ser percebido. De acumular bens. É triste pensar que pessoas como por exemplo, Eike Batista, até pouco tempo atrás era considerado ídolo nacional, modelo de homem e empresário bem sucedido. Modelo de sucesso vendido pela mídia e até mesmo pelas escolas de negócios, que deveriam ser mais cautelosas ao escolherem seus exemplos. Hoje, se você é bilionário, sua história vira exemplo. São histórias como as de Eike Batista, e a de André Esteves, dono do Banco Pactual que se tornou bilionário aos 36 anos, que são vendidas como as verdadeiras histórias de sucesso e inspiram muita gente. São vistos como ídolos.

Não há nada de errado em ter pretensões de ganhar o dinheiro que te fará feliz, mas é importante lembrar que isso não é tudo na vida, e que isso deve ser feito com responsabilidade, sendo ético no seu trabalho, gerando oportunidades de qualidade para todos caso você seja um empresário, sem se deixar cegar apenas pelo lado financeiro.

Uma declaraCÃO de amor, pro amor da minha vida.

Dog's Love

A física moderna veio para mostrar a interdependência entre o mundo das partículas e o universo. Ela colocou em evidência também a íntima conexão entre o homem e o cosmos. É fascinante se deliciar e descobrir os fatos que remontam uma só unidade universal. Nós sabemos que somos feitos de átomos fabricados pelas explosões das estrelas. Somos poeiras das estrelas. Irmãos dos animais selvagens, primos das flores do campo, todos nós compartilhamos a mesma história cósmica. O simples fato de respirar já nos interliga a todos os seres que já viveram neste planeta. As milhões de moléculas que respiramos hoje, já estiveram em outros pulmões. Quando um organismo vivo morre, ele se decompõe, seus átomos voltam ao ambiente e são reincorporados em outros organismos, mas cada um deles no fim das contas, remontam uma mesma história.

Mas eu quero explicar o por que de todo esse blá blá blá cientifico. Muitas pessoas não conseguem entender como é possível sentir um amor tão forte por um ser que “não é da sua espécie”, e eu vos digo que o amor que eu sinto não enxerga nenhuma fronteira. Não prioriza um ser humano, só porque é um ser humano. Quando eu amo alguém, amo porque o amor acontece, independente de como seja.

Eu posso dizer que o ano de 2006 foi um divisor de água na minha vida, claro, foi quando nasceu o Nico! Imagina sentir o que é um amor incondicional diariamente? É algo que sinceramente eu desejo para qualquer pessoa. Ter um amor que não escolhe dia ou hora, não te cobra, não te julga, que é constante, está sempre lá, amor fiel… a cada olhar.

Sou uma pessoa abençoada por ser amada por muitas pessoas também, mas hoje eu tirei um tempo para fazer essa declaração para o meu Nico, que dorme sempre ao meu lado, respira todas as noites o mesmo ar que eu… Te amo muito. Deus nos fez um só. ♥♥♥♥♥

As direções

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É engraçado brincar com o cubo mágico e perceber que cada movimento impacta no arranjo.
Comecei a pensar nas semelhanças do cubo e das nossas ações.
São tantas as escolhas que a gente tem que fazer na vida, dentro de um universo de oportunidades tão amplo,
como saber qual o caminho vai deixar a gente mais feliz e satisfeito.
Cada olhar pra direita certamente vai repercurtir de forma diferente do que se olhassemos no mesmo instante para a esquerda.
Brincando no cubo a gente roda, gira , faz, desfaz, sempre com um objetivo de fechar todas as cores, mas e na vida, como descobrir o nosso objetivo?
Apenas ao brincar de girar O cubo existem aproximadamente 43 quintilhões de combinações diferente, dessas, apenas uma a cada doze representam combinações solucionáveis.
Queria saber como as combinações das nossas ações vão nos levar a uma “solução”, mas talvez seja inútil pensar nisso. Devemos seguir os passos com a razão? Com o coração?
Como saber que não iremos acabar numa rua sem saída. A vida é uma caixa de mistérios e surpresas mesmo, mas acho que a graça é mesmo dispensar os roteiros,
o passo a passo para tentar chegar a algum lugar, ou encontrar alguma solução. Pelo menos é bom saber que os 43 quintilhões de combinações que um brinquedinho proporciona não chega nem perto da infinitude de caminhos que podemos percorrer ao registrar a nossa história.
O universo é bem generoso com a gente mesmo 🙂

 

Poesias de Giuseppe Ghiaroni

Lindas…. 🙂

 

Economia

Dá de ti. Dá de ti quanto puderes:
o talento, a energia, o coração.
Dá de ti para os homens e as mulheres
como as árvores dão e as fontes dão.
Não somente os sapatos que não queres
e a capa que não usas no verão.

Darás tudo o que fores e tiveres:
o talento, a energia, o coração.
Darás sem refletir, sem ser notado,
de modo que ninguém diga obrigado
nem te deva dinheiro ou gratidão.
E com que espanto notarás, um dia,
que viveste fazendo economia
de talento, energia e coração

Injustiça

Tu queres que eu te esqueça de repente,
que esqueça de repente os teus carinhos,
eu que te venho amando aos bocadinhos,
desde quanto te era indiferente!

Deixa-me ir esquecendo lentamente,
voltando aos poucos sobre os teus caminhos,
arrancando um a um os teus espinhos,
até ver uma estranha à minha frente.

Dá-me um beijo de menos cada dia,
inventando um pretexto que sorria,
de maneira que eu saiba sem saber.

Pois queres que eu te esqueça de repente,
e nem sei se uma vida é suficiente
para-mesmo aos pouquinhos- esquecer!

Intermezzo

Um ligeiro intervalo de esperança
foi a nossa escapada da rotina
cada dia uma glória repentina
cada noite a euforia da mudança.

Um ligeiro intervalo de esperança
e eu julguei ter achado o ouro e a mina.
Vi no teu rosto aquela luz divina,
voltei a ser poeta e a ser criança.

Foi a nossa embiaguez dos impossíveis,
ilusão de vencer os invencíveis
e de alcançar o que ninguém alcança.

Mas foi bom.Foi tão mais do que mereço,
que hoje,em desespero,eu te agradeço
um ligeiro intervalo de esperança!

🙂

A temperança

Vou compartilhar algo que gostei muito de ler… 🙂

“Numa sociedade não muito miserável, a água e o pão não faltam quase nunca. Na sociedade mais rica, o ouro ou o luxo sempre faltam. Como seríamos felizes uma vez que somos insatisfeitos? E como seríamos satisfeitos uma vez que nossos desejos não têm limites? Epicuro, ao invés, fazia um banquete com um pouco de queijo ou de peixe seco. Que felicidade comer quando se tem fome! Que felicidade não ter mais fome quando se comeu! E que liberdade só estar submetido à natureza! A temperança é um meio para a independência, assim como esta é um meio para a felicidade.Trata-se de
desfrutar o mais possível, o melhor possível, mas por uma intensificação da sensação ou da consciência que se tem desse desfrutar, e não pela multiplicação indefinida de seus objetos. Pobre Dom Juan, que necessita de tantas mulheres! Pobre alcoólatra, que precisa beber tanto! Pobre glutão, que precisa comer tanto! A ilimitação dos desejos
nos condena à falta, à insatisfação ou à infelicidade. A temperança é essa moderação pela qual permanecemos senhores de nossos prazeres, em vez de seus escravos. É o desfrutar livre, e que, por isso, desfruta melhor ainda, pois desfruta também sua própria liberdade. Que prazer é fumar, quando podemos prescindir de fumar! Beber, quando não somos prisioneiros do álcool! Fazer amor, quando não somos prisioneiros do desejo! Prazeres mais puros, porque mais livres. Mais alegres, porque mais bem controlados. Mais serenos, porque menos dependentes. É fácil? Claro que não. É possível? Nem sempre, sei do que estou falando, nem para qualquer um. É nisso que a temperança é uma virtude.”

Retirado do livro de André Comte-Sponville, Pequeno Tratado das Grandes Virtudes.